Transcrição
[Locução por IA] Este podcast dispõe de recurso de transcrição disponível no link na bio do canal.
[Vanda] Você vê o treinamento mudando vidas. Eu já acredito, firmemente, que o treinamento transforma todas as vidas que ele toca. Se você fizer um treinamento focado num resultado para um negócio, ele muda a vida das pessoas e, consequentemente, do negócio. Então, a gente, como agente formador desse conhecimento, é muito inspirador. É uma alegria trabalhar com isso.
[Alexandre] Quer transformar conhecimento em ação? Bem-vindos e bem-vindas ao Conecta GP, o podcast da GP Strategies onde insights transformadores chegam até você de maneira rápida, acessível e prática. Eu sou Alexandre Miranda. Sou homem cisgênero. Tenho cabelo e barba grisalhos, um metro e oitenta e dois centímetros de altura. A cor da minha pele é clara e estou usando uma camisa xadrez. Hoje, temos o prazer de receber em nosso podcast Vanda Cunha, uma profissional com vasta experiência em gestão de operações e projetos de treinamento. Ao longo da sua carreira ela se destacou nas áreas administrativa e financeira, passando por setores como consultoria, varejo e serviços. Currículo vasto, hein, Vanda.
[Vanda] É, a idade também, né? Foi muito tempo. Deu tempo de fazer isso tudo.
[Alexandre] A Vanda é especialista em reestruturação organizacional, gestão de equipes e implementação de sistemas e processos que aumentam a produtividade. Vanda, estamos muito felizes em ter você para conhecer mais sobre a sua trajetória, os aprendizados que marcaram sua carreira. Muito obrigado por aceitar o nosso convite para conversarmos a respeito da GP Strategies.
[Vanda] Alê, eu quem estou muito feliz, muito lisonjeada de estar aqui com vocês nesse primeiro episódio do Conecta. Então, para fazer minha autodescrição, eu sou uma mulher cis, hétero, de pele clara, cabelos grisalhos, olhos castanhos, tenho um metro e sessenta e quatro, estou usando óculos e um vestido estampado em tons de azul.
[Alexandre] E agora, para iniciar a nossa conversa do Conecta GP, Vanda. Se formos imaginar alguém que não conhece absolutamente nada a respeito da GP Strategies, seja uma nova pessoa colaboradora ou de outras empresas. Vanda, quais seriam as duas principais características que você nota como sendo indispensáveis para explicar a empresa e seus valores?
[Vanda] Ai, Alê, eu acho que vou falar mais que duas, né?
[Alexandre] Fica à vontade.
[Vanda] Mas a GP é uma empresa que faz parte de um grupo, que é o grupo LTG, que é o maior grupo educacional do mundo. A gente, a gente treina e a gente atinge 200 milhões de pessoas no ano, consomem os nossos, os nossos treinamentos. Então é uma massa muito importante.
[Alexandre] É muita gente, Vanda!
[Vanda] É muita gente. A responsabilidade vem com isso também. E a GP tem muitos campos de atuação. Mas são sempre focados na transformação de pessoas. A gente tem, é muito focado em áreas como consultoria, desenvolvimento de lideranças, treinamento de equipe de vendas, mas sempre focados na formação de pessoas para a melhoria do negócio.
[Alexandre] A GP faz parte do mercado de treinamentos, Vanda, e sabemos que é um mercado altamente competitivo e ao mesmo tempo tão necessário. Vanda, o que realmente diferencia a GP dentro desse nicho corporativo?
[Vanda] Ai, Alê, para a gente da GP cada cliente é único. A gente sempre busca uma solução direcionada para a dor que o negócio tem naquele momento. Quais são os resultados que o cliente quer alcançar para o seu negócio? Com isso, a gente desenvolve soluções que são focadas no desenvolvimento das pessoas. Os negócios são feitos com pessoas. Então, a gente vai buscar o desenvolvimento dessas pessoas para atender as necessidades do negócio. Embora a gente tenha muitas vezes negócios nos mesmos segmentos, cada cliente e cada necessidade é única. Mesmo o cliente que atua dentro dos mesmos segmentos. Então, a gente tem muito cuidado em tratar essa característica única do cliente como um valor para a gente.
[Alexandre] Faz tanto sentido o que você acabou de colocar, Vanda, sobre levarmos para os nossos clientes a personalização dos treinamentos para cada empresa cliente que atendemos. E essa é uma das principais forças da GP Strategies. Queria saber, dentro da sua visão, Vanda, qual a importância de entender a cultura e as necessidades individuais de cada empresa e assim criar soluções mais eficazes?
[Vanda] Alê, o entendimento do negócio do cliente é fundamental para a gente propor soluções. A gente só consegue alcançar e compreender a totalidade de qual é o objetivo daquele treinamento, se a gente se aprofunda e se a gente tem clareza dos processos que a ponta está vivendo. A gente precisa sair desse lugar. Todo treinamento que começa como uma visão acadêmica, ele está fadado ao fracasso. Então, a gente precisa entender a dor da ponta. A gente precisa entender como uma ponta aprende melhor qual é a característica daquele público. Então, só mergulhando no negócio do cliente é que a gente pode alcançar os objetivos que são propostos no treinamento.
[Alexandre] E pensando globalmente, Vanda, a GP ela tem uma presença global muito forte. Quais aprendizados ou práticas adotadas em outros países, você acredita que mais impactam a atuação da GP aqui na América Latina?
[Vanda] Eu acho que investir nas etapas de planejamento de treinamento. Aquelas etapas iniciais, onde a gente tem um briefing, a decupagem do briefing muito bem-feito, a gente investir nessa parte de planejamento. E somar a esse treinamento, os especialistas naquele assunto que o negócio vai tratar são fundamentais. Então, e tem dado muito certo. A gente tem obtido muito sucesso na implementação na América Latina. A gente… Isso não é muito fácil para a gente, né? A gente, culturalmente, a gente tem muito essa coisa de a gente já quer muito sair fazendo, né? A gente chega e já quer resolver tudo. Mas é extremamente produtivo esse período de análise, planejamento. Ele tem se mostrado muito eficiente depois no desenvolvimento do treinamento e na validação no final e no engajamento depois na ponta. E se você tem todo esse planejamento bem-feito, o resultado dele é muito mais efetivo.
[Alexandre] O resultado desse trabalho é cada vez mais um cliente próximo da gente, né, Vanda? É o que a gente percebe muito vivo na GP.
[Vanda] Sim, a gente tem o tempo inteiro a gente, eu falo muito para os clientes: Não tem, não tem a minha equipe, não tem equipe GP, não tem equipe cliente. Tem a equipe junta, que está buscando um objetivo do negócio. Então, a proximidade, a comunicação fluida, o contato constante com o cliente, tudo é fundamental para que a gente tenha o sucesso do treinamento.
[Alexandre] Uma das palavras constantes que surgem, nós fizemos uma pesquisa aqui, Vanda, e essa palavra surge com muita frequência quando pesquisamos por capacitações, que é a palavra inovação. Por exemplo, se fizer uma pesquisa agora rápida no Google, vamos ter lá algumas definições, indo desde algo que é novidade e aperfeiçoamento. Quero saber na sua opinião, Vanda, para você, o que significa inovação dentro do contexto da GP?
[Vanda] Eu gosto sempre, eu achei muito interessante você trazer essa questão dos significados, porque inovação tem muitos. E eu gosto muito de questionar quando, quando muitas vezes a gente fala sobre inovação com o cliente, eu gosto muito de questionar qual que é o conceito que o cliente tem em mente de inovação. Porque a palavra inovação ela sempre é muito confundida com tecnologia. Então, hoje em dia, quando a gente fala de inovação, se fala de inteligência artificial, por exemplo, teve uma época que se falava sobre realidade virtual e aumentada. Então, sempre que se falava de inovação, se falava sobre isso. Isso também é inovação. Em alguns momentos que isso é requerido, necessário, isso também é inovação. Mas o mais desafiador na inovação para mim, passa pelo aperfeiçoamento de alguma coisa que você faz. Ou seja, fazer alguma coisa que você está acostumado a fazer de um jeito diferente.
[Alexandre] Dentro da rotina, por exemplo?
[Vanda] Dentro da rotina, você olhar para um treinamento e você propor uma coisa nova, você olhar dentro de um processo que você faz de uma determinada coisa e mudar alguma etapa, otimizando alguma coisa. É você… É o tempo inteiro você olhar para o que você faz e fazer de forma diferente, forma melhor. Os japoneses têm uma palavra que é o que é Kaizen, que fala muito sobre melhoria contínua. Inovação é isso. Inovação é você o tempo inteiro buscar fazer alguma coisa de um jeito melhor, de um jeito diferente do que você faz. E esse é o mais desafiador da inovação. Você usar a inovação como tecnologia ou como uma coisa que está totalmente fora da tua realidade, embora seja uma necessidade, uma vontade que o cliente tem para fazer, muitas vezes isso nem se aplica ao dia a dia. Eu lembro alguns treinamentos quando se falava de realidade aumentada e virtual, que muitas vezes as pessoas pediam para fazer isso no treinamento, mas isso nem se aplicava ao treinamento, além de ter um custo enorme. Então, mais do que a questão de inovar pela palavra, a gente busca sempre a aplicabilidade disso no negócio. O que faz sentido? E o grande desafio da vida da gente é todo dia fazer diferente alguma coisa que a gente já faz. Isso é inovação constante. E esse precisa ser o mindset, tanto das equipes que desenvolvem treinamento, como dos clientes, das pessoas, das áreas de capacitação do cliente. Inovar é um verbo que precisa ser conjugado todos os dias.
[Alexandre] Concordo, Vanda. Jogando para a prática, é importante você trazer para a gente exemplos recentes de projetos inovadores ou tecnologias inovadoras que impactaram a própria GP ou empresas clientes. Nós temos dois clientes que sempre buscam essa inovação, essas tecnologias. Você consegue falar alguma coisa? Trazer aqui para a gente esse exemplo?
[Vanda] Consigo, a gente tem bastante. Acho que foi uma quebra muito grande de paradigma nessa coisa de inovação, e aí a gente acabou de falar que não é somente tecnologia e, especificamente, esses exemplos que eu vou trazer não envolvem a tecnologia, mas envolvem o treinamento para as capacitações técnicas. A gente começou a trazer uma abordagem de comportamental. Normalmente os técnicos, eles são treinados muito no como fazer uma determinada coisa. Então, por exemplo, mecânicos nos concessionários, eles são treinados a consertar um carro, tem as etapas do…
[Alexandre] É o próprio operacional, né?
[Vanda] É o operacional. Tem, por exemplo, as pessoas de call center. Elas têm atendimento de chamadas, mas muitas vezes tem uma questão mecânica.
[Alexandre] O técnico de campo da Vivo, que tem que trabalhar com todos os equipamentos, tem todo um processo para entrar numa tubulação, para subir num poste.
[Vanda] Exatamente. As questões todas de segurança que envolvem isso. Então, a gente tem essas questões técnicas todas que são necessárias em muitas delas, que, inclusive, por questões de segurança do próprio colaborador. Mas a gente tratava pouco essa questão do comportamental no técnico. No começo tinha muita resistência do próprio técnico. Era uma coisa muito estranha, porque ele ia ali para aprender a fazer uma coisa ou para reciclar um conhecimento que ele já tinha. Então, se deparou com uma questão comportamental ali. E aí, quebrado desse paradigma inicial, que é uma resistência que existe. A gente, o novo, é uma coisa muito interessante. Ao mesmo tempo que a gente busca inovação, a gente tem medo do novo. Então, a gente, seres humanos que somos, vivemos sempre nessa, nessa dicotomia entre as duas coisas. Mas a gente fez esse treinamento e a gente viu as mudanças que foram causadas dentro dos funcionários no sentido de engajamento. Os funcionários, os colaboradores, olhando para aquilo como uma valorização deles, porque tocou numa questão humana. A gente viu reflexos nos NPS dos atendimentos das concessionárias, porque não era simplesmente “eu deixei meu carro e o carro foi consertado.” Havia ali um cuidado do colaborador em ter uma comunicação clara e em ser cortês, enfim, fazer todo um embrulho de presente e toda uma questão que engloba a questão técnica. Então, essas questões comportamentais trouxeram um frescor para a área técnica, muito necessário, mas foi uma quebra de paradigma. Muitas vezes as áreas cliente, as áreas meio têm, às vezes, um pouco de resistência com relação a isso, mas os resultados falaram por si e hoje a gente tem essas questões comportamentais muito atreladas ao treinamento técnico. Então, isso eu acho que é uma inovação que a gente trouxe, um frescor para alguns treinamentos que impactaram positivamente tanto o cliente. Nós clientes diretamente, como o cliente do nosso cliente. Acho que isso foi um grande ganho.
[Alexandre] A gente percebe, Vanda, o quão importante é levar esse treinamento comportamental para os técnicos de campo, por exemplo, que estão atendendo o cliente na residência e que resolvem situações de reparo apenas com uma conversa. O cliente está querendo ali uma atenção, o cliente está querendo ali um posicionamento da empresa quanto ao equipamento ou quanto a uma velocidade de internet. E já como você bem colocou, essa questão de, por exemplo, a mecânica também está aliada ali ao atendimento, à experiência do cliente, porque, às vezes, um barulho no carro é simplesmente um incômodo do cliente que está querendo ali uma atenção maior daquele técnico.
[Vanda] E a gente se coloca numa posição onde a gente, como cliente e como consumidor, a gente coloca muito uma posição de não saber como é que aquilo foi gerado. Então, a gente tem ali uma situação hoje, por exemplo, seja na nossa casa, o técnico que vai, qualquer questão técnica hoje, que impacta seja a internet, seja ou não, a gente está muito… A tecnologia tomou conta das nossas vidas. Então, a gente não sabe muito como lidar com aquilo. Então, a gente tem a expectativa de que venham… No momento em que a gente já é atendido por um ser humano, a gente fala, e não um bot, que os bots, hoje, estão mais um passo.
[Alexandre] A gente não sabe mais com quem a gente está falando, né, Vanda?
[Vanda] Exatamente. Então, eu acho que a gente é a potencialização, a gente usar a tecnologia como ferramenta a nosso favor. E bot é super bem-vindo nessa questão. Mas no momento em que chega no humano, que o humano seja humano na melhor, na melhor versão desse conceito. Então, o treinamento comportamental, ele precisa permear todos os setores das organizações. Não somente… a gente antevia muito soft skills para questão mais de liderança sobre algumas questões específicas. Mas o treinamento técnico, o técnico como agente da humanização, eu acho que é fundamental para os negócios.
[Alexandre] Um dos focos da GP nos últimos anos, Vanda, tem sido o de criar treinamentos cada vez mais inclusivos e acessíveis, garantindo que pessoas com deficiência se beneficiem das capacitações produzidas com equidade. Vanda, eu arrisco até dizer uma maneira de quebrar os paradigmas e preconceitos sobre a atuação de pessoas com deficiência no mercado. Desde que essas abordagens de acessibilidade começaram a ser implementadas na GP Strategies, como elas repercutiram nas entregas junto às empresas, nossas clientes?
[Vanda] Olha, eu acho que você tocou num tema para mim, é fundamental para as organizações. Eu acho que a gente tem um papel importantíssimo como parte da sociedade, de ser absolutamente inclusivo com a questão de pessoas com deficiência. Se tirou esse paradigma de que a pessoa com deficiência é uma pessoa que vai ficar ali colocada num canto da empresa e a gente vai tê-la somente para dizer que ela está ali. Isso não é a realidade. A gente tem cada vez mais necessidade de ter essas pessoas no mercado. Mais do que uma questão legal, que eu acho que a lei existe com relação a trazer as pessoas com acessibilidade, porque a gente, muitas vezes, poucas empresas teriam isso. Então, eu valorizo muito todas as que têm. E a gente trazer isso, nada mais lógico de, se a gente treina toda força de trabalho, e as pessoas são a força de trabalho, então, cada vez mais a gente tem a preocupação com isso. Que houve a grande mudança na GP com relação à inclusão dos treinamentos com acessibilidade é que há uma criticidade das pessoas que desenvolvem treinamentos, mesmo para as empresas que ainda não requerem treinamentos com acessibilidade. Então, as equipes estão tão formadas com a questão da busca da acessibilidade, que a gente se preocupa com tamanho de letra, que a gente se preocupa com as cores, a gente se preocupa com o formato, se tem libras, se tem legenda, se tem, enfim, se tem audiodescrição. Então, tudo isso a gente faz hoje, inclusive para empresas que não buscam, necessariamente, esses treinamentos para pessoas com deficiência. Houve uma mudança de mindset e a gente também, na GP de trazer, a gente tem o maior orgulho de dizer hoje que a gente tem bastante. A gente tem aí 8% da nossa força de trabalho com pessoas com deficiência. Desde que a gente implementou essa abordagem de acessibilidade nos treinamentos, a gente vê que as equipes começaram a ficar preocupadas em buscar isso. Então, todo o treinamento que é desenvolvido, mesmo para as empresas, clientes nossas, que ainda não tem essa questão da necessidade de acessibilidade, você já vê os treinamentos sendo desenvolvidos nesse lugar. Então, com a preocupação de cores, letra, a audiodescrição, legendas, enfim, acessibilidade não é uma questão de cota, é uma questão de cidadania. E a gente vê as equipes que produzem isso muito engajadas e com muito orgulho em fazer parte disso, porque realmente a gente insere muitas pessoas no mercado de trabalho. Eu acho que isso é fundamental.
[Alexandre] Essa fala que você trouxe, ela é muito verdadeira. Nós vivenciamos aqui na GP Strategies. Inclusive, um dos pilares da metodologia Apply-Learn da GP é a mudança de comportamento diante da capacitação pessoal para criar um ciclo de aprendizado contínuo. Pensando no histórico da GP, Vanda, quais foram os maiores impactos detectados na aplicação desse conceito de mudança comportamental em treinamentos corporativos? E aqui, considerando, Vanda, tanto pelo ponto de evolução de carreira quanto de questões sociais.
[Vanda] Eu acho que uma das coisas que a metodologia trouxe para a gente, a aplicação dessa metodologia, foi a questão do pensamento crítico no momento de desenvolver. Então, de entender para que aquele treinamento está sendo feito, quais são os insumos que a gente tem com detalhe, qual é, o que aponta? Qual o objetivo do treinamento? Então, eu acho que a metodologia trouxe muito pensamento crítico para as equipes e muita questão de o raciocínio e a busca de solução de problemas, de a gente olhar para a necessidade naquele treinamento e a gente verificar como é que ele pode ser, como é que você pode melhorar, trazer mais aplicabilidade para ele no sentido de trazer cases do negócio. Muitas vezes, em vez de colocar um treinamento acadêmico, como eu falei, simplesmente ter uma teoria, quando você traz também cases do negócio, quando você traz a questão prática para a sala como exemplo, isso faz com que a curva de esquecimento se atenue no tempo. Então, eu acho que isso tem sido bastante produtivo para a gente, essa evolução.
[Alexandre] Com certeza, traduz em tantos resultados, Vanda. Não é surpresa que a GP também tenha conquistado tantos prêmios, tantos reconhecimentos incríveis ao longo desses anos no mercado, não é? Só para destacar, Vanda, são mais de 30 prêmios Brandon Hall, que eu sei que você conhece todos, mas para quem está ouvido aqui, para a gente é importante destacar. Trinta prêmios Brandon Hall, os prestigiados Learning in Practice e Learning Elite, além de outros como o Training Top, o Excellence in Practice da ATD. Mas além desses reconhecimentos dentro do mercado, que realmente são importantes e significativos, analisando a sua experiência na GP Strategies, Vanda, teve alguma história inspiradora, uma transformação pessoal marcante que surgiu a partir dos treinamentos, que você possa compartilhar conosco?
[Vanda] Nossa, Alexandre, tem muitos nesses anos todos trabalhando nessa área. Até a gente tem bastante, bastante, bastante exemplos para colocar. Um ponto muito importante que eu sempre falo é que o prêmio é consequência da história. Então, o foco da gente, a gente nunca começa um treinamento imaginando que um treinamento vai ser premiado. Ele acaba sendo consequência justamente pela metodologia, pela paixão pelo que a gente faz, que é colocado no negócio, que aí isso vira prêmio, né? Mas aí, provavelmente, se a gente tivesse focado em prêmio, a gente talvez ganhasse menos prêmio, porque o foco estaria no lugar errado. Não na solução para o cliente. Mas a gente vê treinamentos mudando vidas. A gente tem alguns treinamentos, por exemplo, de algumas empresas que tem foco em, às vezes, pessoas que estão em situações de vulnerabilidade e que se busca o treinamento gratuito. A gente tem alguns clientes que têm hábitos também no automotivo, que trabalham com relação a isso. Você vê o treinamento transformando vidas. Eu já acredito, firmemente, que o treinamento transforma todas as vidas que ele toca. Se você fizer um treinamento focado num resultado para um negócio, ele muda a vida das pessoas e, consequentemente, do negócio. Mas esse tipo de treinamento que tira pessoas da questão da vulnerabilidade e traz essa questão da mudança mesmo, da vida, a transformação de vida na sociedade é uma coisa que me emociona, que eu tenho muito, muito carinho por esses treinamentos. Mas eu acho que o conhecimento em si, ele muda vidas. Então, a gente, como agente formador desse conhecimento, é muito inspirador. É uma alegria trabalhar com isso. A gente tem muita paixão pelo que a gente faz e eu fico muito feliz de ver essas histórias de transformação.
[Alexandre] Perfeito. Se torna um propósito, né, Vanda?
[Vanda] Sim, com certeza.
[Alexandre] Um propósito de vida. Na sua visão estratégica, quais são as principais tendências que você acredita que irão moldar o mercado de treinamento agora em 2025?
[Vanda] Eu acho que com a entrada, óbvio que a gente fala das inteligências artificiais, mas eu acho que a gente agora tem um desafio muito grande de integrar os ecossistemas atuais de treinamento. As empresas viveram até agora sem as IAs, então elas têm uma estrutura toda colocada. Integrar essa estrutura existente com as inteligências artificiais. Como que a gente acopla para que comece a atuar dentro dos ecossistemas? A gente tem uma questão de, hoje, com a chegada das inteligências artificiais, que já tem acompanhando a gente há alguns anos aqui e mais recentes, que se fala, obviamente, disso como uma tendência, mas mais do que a IA em si, as IAs integradas. Como integrar essas IAs aos ecossistemas de treinamento existentes? Então, as empresas todas têm as suas plataformas de treinamento e aí, muitas muito grandes. Enfim, com bastante informação. Então, como integrar isso à IA e ali dentro desses ecossistemas existentes? A gente vê uma hiperpersonalização do treinamento. As pessoas aprendem que somos todos diferentes, aprendemos de formas diferentes. Como que a gente consegue colocar esses treinamentos modulares, de maneira que, se eu sou mais visual, eu aprendo por vídeos, se eu sou mais de texto, buscar o auditivo ou o eLearning, alguma questão nesse sentido. Então, as pessoas buscarem essa, que cada um possa…
[Alexandre] Esse facilitador, né, Vanda, da aprendizagem?
[Vanda] Exatamente. Que cada um tenha e busque o elemento ou objeto que se sente mais confortável em aprender. Tem a responsabilidade do colaborador como agente do seu desenvolvimento. Acho que a gente tem também que trazer isso para a gente se responsabilizar pelo nosso desenvolvimento. A gente fica sempre esperando que alguém diga para a gente o que fazer e a gente vê aí uma criação de uma autonomia muito grande, a busca por isso. Mas, obviamente, isso tem que ter um eco no colaborador. Porque também a empresa investir nessa hiperpersonalização, sem que haja uma usabilidade do colaborador, isso vai se mostrar se isso tem sentido ou não. A gente entende que isso é uma tendência, mas obviamente isso vai se refletir no que o colaborador vai fazer com essas ferramentas. E uma coisa muito importante que eu vejo como uma tendência muito grande são os desenvolvimentos da liderança voltada para estabelecer conexões mais humanas. Uma coisa muito louca, né? Eu comecei falando de IA e termino com conexões mais humanas. Mas eu acho que a grande, a grande tendência disso é desenvolver tanto a nossa mão de obra para que ela seja qualificada para usar IAs e novas tecnologias, como a liderança trazer isso para cada vez fazer uma conexão mais humana com seus liderados. Para mim, essas são as tendências aí que vão mexer com o mercado em 2025 e nos próximos anos.
[Alexandre] E para estarmos preparados, Vanda, para essas tendências, quais seriam aí, na sua visão, as habilidades indispensáveis para quem trabalha com treinamento hoje? E, principalmente, como a GP está ajudando a preparar essas pessoas, tanto dentro de empresas quanto fora do mercado? Porque a gente vê realmente profissionais de ponta no mercado que hoje precisam, como você falou, se adaptar às IAs, se adaptar a todas essas transformações e cada vez mais criar conexões humanas.
[Vanda] Vale para as áreas de treinamento, mas meio que acaba cobrindo todas as áreas do negócio. Que tem uma coisa, que a gente falou ainda pouco, sobre a pessoa ser responsável pelo seu desenvolvimento e treinamento. Então, tem uma questão de uma aprendizagem ativa. De você estar o tempo inteiro buscando por aprendizado. Então, uma competência indispensável e a mesma coisa para a pessoa que desenvolve treinamento. O tempo inteiro estar olhando o que tem de novo. Como que ela pode fazer uma coisa diferente? A questão do pensamento analítico e da inovação, isso sempre para você entender como analisar, decupar o que você está fazendo e para o que é. O pensamento crítico, para a gente, de novo, entender que o treinamento é uma ferramenta que vai atingir alguém com o objetivo de negócio.
[Alexandre] E também essa criticidade, né, Vanda? Para navegar nesse mar de possibilidades, de informações. Hoje, redes sociais como o TikTok, como o Instagram, como o Facebook, que fornecem esses microlearnings, esses microaprendizados. Ninguém mais, Vanda, lê manual de instrução.
[Vanda] Ninguém mais.
[Alexandre] Quase denunciei a minha idade.
[Vanda] Estamos no mesmo barco. Estamos no mesmo barco, Alê. Mas eu acho que o pensamento crítico busca muito isso. A gente, como a gente está no mar, né? Eu falo: “no mar tem tudo, né?” Hoje, infelizmente, também no nosso mar tem muito lixo, né? Então, o pensamento crítico na busca dessa informação é muito importante. E essa questão da validação do que você pega. Então, pode ter um pouco de profundidade, porque a gente está no mar, mas o mar também está raso. Então, para a gente ter uma profundidade aí na busca do conhecimento e saber onde que ele se aplica. Eu acho que precisa ter muita criatividade, muita iniciativa para o profissional de treinamento. Ter uma comunicação muito fluida, uma busca muito… Um raciocínio para solução de problemas. Olhar e falar: “Puxa, como é que isso pode ser feito? Por que isso, né? Por que isso não é feito dessa forma? O que é esse problema? Como é que eu posso ajudar a resolver esse problema?” E uma questão grande de adaptabilidade. A gente olhar e saber que a gente tem que se adaptar rápido a uma mudança de situação e de cenário. Eu brinco que eu sou muito crítica com a frase “nós sempre fizemos assim.” Mas agora mais crítica ainda. Porque eu acho que quem tiver esse pensamento de “nós sempre fizemos assim”, vai ficar para trás. Aproveitando que estamos usando a analogia do mar, a onda vai levar essas pessoas que não estão adaptadas e não vão ter resiliência, adaptabilidade à mudança.
[Alexandre] São colocações indispensáveis. E até pegando o gancho aqui dos mares, aí, de possibilidades, das mudanças e de toda essa adaptabilidade que a gente precisa alcançar dentro do negócio de uma maneira estratégica, Vanda, traz para a gente o seguinte: como a GP está se preparando para enfrentar esses desafios possíveis do futuro e, principalmente, aproveitar as oportunidades dessas tendências?
[Vanda] A gente está muito no caminho de consolidação das equipes, da gente buscar quais são as necessidades de aprendizado e desenvolvimento das nossas equipes. Eu brinco que a gente, como uma empresa de treinamento, a gente tem que olhar para dentro e não somente para fora e para os clientes, mas a gente tem um caminho a fazer, de desenvolvimento das nossas pessoas, para que elas estejam prontas, aí, para abarcar essas tendências. Entender perfis, entender que muitos perfis podem ser desmembrados em outros perfis que a gente não tem. A questão dos especialistas, eu acho que são grande. A gente começou na empresa com algumas funções específicas. Mas eu acho que isso é uma tendência da gente ter pessoas superespecialistas num determinado assunto, que ajudem a trazer informação. Que as equipes de desenho desenhem a solução, mas que o especialista possa trazer o insumo, possa trazer um insight.
[Alexandre] Trazer uma provocação, também, né, Vanda?
[Vanda] Exatamente. Para as equipes, para que elas possam ter muito mais propositivas e que os treinamentos sejam muito mais encorpados. E encorpado que eu digo, não é no sentido de treinamento de muitos dias.
[Alexandre] Tamanho, dias longos.
[Vanda] Mas que eles… Hoje a gente precisa… Você deu de exemplo o TikTok, você deu de exemplo as redes sociais, o Instagram, tudo… E hoje, a gente precisa comunicar muito mais, num curto período de tempo. Então, a gente cada vez mais precisa que haja uma profundidade, como se tivessem… Sabe aquelas pessoas que mergulham em apneia? Não sei se você já viu ali. Mergulham num tubo superfininho que tem uma profundidade gigante. Não tem muito espaço muitas vezes. Então, eu acho que o treinamento está caminhando por esse lugar. A gente precisa de uma chamada num site, colocar um tema superpertinente para que a pessoa, para engajar a pessoa e ela ter vontade de aprender mais sobre isso.
[Alexandre] Perfeito. Vanda, foram temas assim importantíssimos que nós abordamos aqui, apresentando um pouquinho das soluções das nossas estratégias na GP Strategies. E eu gostaria agora de pedir para você, e estamos aqui quase encerrando o nosso encontro, qual é a mensagem que você gostaria de deixar para as pessoas que estão acompanhando o nosso podcast e que estão em busca de capacitação pessoal ou profissional?
[Vanda] Eu ia dizer para a gente, falando nessa questão da responsabilização, eu ia dizer: gente, busque, sabe, navegue nesse mar sem medo e teste a tecnologia, se arrisque na tecnologia. Muitas vezes a gente tem medo, humanos que somos, temos medo do desconhecido, temos medo de alguma coisa nova. Arrisca. Vai dar errado. Tem coisas que vão funcionar, tem coisas que você vai gostar ou não. E experimente coisas novas. Às vezes, você está acostumado a ver um vídeo ou só a ouvir áudio. Se joga em outros formatos, porque os formatos também estão diferentes. Então, acho que você buscar isso, você navegar na rede e ser muito crítico do que você vê…
[Alexandre] Consome, né?
[Vanda] Do que você encontra e consome. Analise, vá fundo e busque. E seja responsável pela sua história. A gente tem sempre a tendência de colocar a nossa história na mão do outro. Nós somos responsáveis pela nossa história e no ramo do treinamento nós somos responsáveis pelo nosso desenvolvimento. Então, seja pessoal ou seja profissional, como empresa, busque o seu desenvolvimento, busque o que faz sentido para você.
[Alexandre] E agora para finalizar, Vanda, eu quero propor um jogo rápido de associação com você. Inclusive, esse jogo é estreia com você, tá, Vanda?
[Vanda] Nossa, que responsabilidade. [Alexandre] E vai acontecer no nosso podcast Conecta GP com todos os convidados que virão para bater um papo aqui conosco. Eu vou dizer, Vanda, algumas palavras e eu gostaria que você respondesse com a primeira informação que surgir na sua cabeça. Tá bom?
[Vanda] Ok.
[Alexandre] Então, vamos lá, Vanda. Primeira palavra: capacitação
[Vanda] Responsabilidade.
[Alexandre] Diversidade.
[Vanda] Essa está fácil. Cidadania.
[Alexandre] Inovação.
[Vanda] É o caminho.
[Alexandre] GP Strategies.
[Vanda] Com certeza é o futuro.
[Alexandre] Associações perfeitas, Vanda. Um raciocínio rápido, certeiro. A gente quer agradecer muito a sua participação no nosso podcast. Foi um prazer, Vanda, você estar aqui no Conecta GP. Eu tenho certeza de que as pessoas agora têm uma perspectiva muito clara sobre a GP Strategies e porque ela é referência em inovação.
[Vanda] Eu que agradeço, Alexandre. Foi um prazer estar aqui com vocês nesse primeiro episódio do Conecta. Que venham muitos.
[Alexandre] Muito obrigado por participar do nosso primeiro episódio. Muito obrigado a quem está ouvindo o nosso podcast. Hoje, ficamos por aqui. Esperamos vocês no nosso próximo episódio. Obrigado, Vanda.
[Vanda] Obrigada, Alê.