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5 principais dicas para liderar equipes multigeracionais

Por Nic Girvan, originalmente em inglês no blog Performance Matters da GP.

As organizações estão se tornando cada vez mais diversas em termos de idade, com lideranças gerenciando equipes que podem abranger até quatro gerações diferentes. Embora essa dinâmica traga seus próprios desafios, as organizações passaram a perceber que há grande valor em abraçar a diversidade etária. Uma pesquisa da AARP com 6.000 pessoas colaboradoras revelou que “83% das lideranças empresariais afirmam que forças de trabalho multigeracionais são fundamentais para o crescimento e o sucesso de longo prazo de suas empresas”. Além disso, 68% das pessoas entrevistadas disseram que projetariam intencionalmente equipes com diferentes faixas etárias.

Fica claro que há benefícios em cultivar uma força de trabalho multigeracional, mas como gerenciar de forma eficaz uma equipe formada por pessoas com visões tão distintas sobre tecnologia, comunicação e produtividade? A seguir, apresentamos cinco dicas que ajudam a reduzir atritos e extrair o melhor de uma equipe multigeracional.

#1 confronte crenças estereotipadas e vieses

O etarismo representa um dos desafios mais significativos do ambiente de trabalho moderno, em grande parte por ser amplamente disseminado. Em algum momento, todos nós já questionamos a capacidade de alguém por ser “jovem demais” ou talvez por estar “ficando mais velho”. Como qualquer forma de discriminação, quando não é enfrentado, o etarismo pode influenciar a forma como agimos, mesmo que de maneira inconsciente.

É fundamental que lideranças enfrentem e desafiem ativamente esses estereótipos. Comece identificando seus próprios pontos cegos, especialmente na forma como reage às pessoas. Em seguida, questione as suposições por trás dessas reações. O método das Três Perguntas é uma tática útil para desconstruir suposições. Quando perceber que está caindo em um pensamento estereotipado, pause e pergunte: isso é verdade? Isso é sempre verdade? Que exemplos tenho de quando isso não foi verdade? Veja um exemplo de como isso funciona:

Suposição: pessoas colaboradoras mais velhas são ruins com tecnologia

Isso é verdade? Em alguns casos, pode ser verdade.

Isso é sempre verdade? A maioria das pessoas consegue pensar em alguém que quebra esse estereótipo.

Que exemplos tenho de quando isso não foi verdade? Steve Jobs era um baby boomer e, ainda assim, extremamente conectado à tecnologia.

Depois de reformular o próprio pensamento, é possível usar a mesma abordagem para orientar colegas de equipe. Um ponto importante ao confrontar pensamentos enviesados: evite expor alguém publicamente, pois isso tende a gerar raiva e comportamento defensivo. Em vez disso, chame a pessoa de lado, pergunte sobre o comentário feito e utilize as Três Perguntas para desafiar as suposições. É impressionante como estereótipos se desfazem rapidamente quando começam a ser questionados. Caso haja resistência mais profunda por parte de integrantes da equipe, pode ser necessário agendar uma conversa separada, fazendo referência a políticas ou procedimentos da empresa ou, em casos extremos, contar com o apoio de um representante de RH.

#2 promova o pensamento diverso

Pessoas de diferentes gerações tendem a abordar problemas de maneiras distintas. Essas perspectivas únicas podem oferecer insights valiosos para resolver problemas, estimular a criatividade e identificar falhas ou riscos em uma ideia, produto ou processo. Isso só acontece, no entanto, quando a liderança cria um ambiente de segurança psicológica no qual todas as pessoas se sintam à vontade para compartilhar suas opiniões sem medo de ridicularização ou julgamento.

Assim como no enfrentamento de vieses, a segurança psicológica começa com a liderança. Pode ser necessário adotar ações ativas para ajudar todas as pessoas a se sentirem confortáveis. Observe quem contribui e quem parece relutante. Por exemplo, pessoas mais jovens podem hesitar em compartilhar ideias na frente de colegas mais experientes. Também é importante prestar atenção às reações às contribuições: há receio de fazer perguntas ou sugestões por medo de julgamento ou zombaria?

Conheça as pessoas da sua equipe para entender como cada uma aborda os desafios. Incentive, reconheça e recompense contribuições e ideias. Dê o exemplo, demonstrando humildade e vulnerabilidade ao ser curioso e fazer perguntas que promovam a conversa. Busque formas criativas de estimular reflexão e utilize ferramentas variadas, como chat, quadros brancos e post-its, para incentivar a participação. Ouça de forma ativa e intencional e facilite discussões construtivas entre pontos de vista opostos. O objetivo central deve ser estabelecer uma dinâmica em que as pessoas se sintam encorajadas a falar e compartilhar. À medida que isso acontece, reforce o comportamento agradecendo pelas contribuições, celebrando conquistas e reconhecendo pessoas por suas participações.

#3 adote um estilo de gestão flexível

Liderar equipes hoje é, sem dúvida, mais complexo do que nunca. No passado, era possível definir “sucesso na carreira” como subir na hierarquia corporativa. No entanto, com a mudança na composição geracional, sucesso já não se resume a um salário elevado ou a um cargo sênior. Pessoas profissionais estão redefinindo sucesso como a capacidade de equilibrar prioridades de vida e trabalho ou como o aprofundamento de especialização em uma função que vêm desenvolvendo ao longo dos anos. Esse é um exemplo claro de como o “pensamento de grupo” deixa de se aplicar, com pessoas mais jovens questionando paradigmas antigos relacionados à ética do trabalho, saúde mental e responsabilidade corporativa.

Manter a mente aberta é essencial ao gerir diferentes gerações no ambiente de trabalho. Não descarte expectativas das pessoas mais jovens como “idealistas demais”, nem desconsidere contribuições de colegas mais experientes como “presas ao passado”. Em vez disso, concentre-se no valor de cada ideia e reflita sobre como elas podem evoluir a experiência da equipe e impulsionar a produtividade. Embora seja útil conhecer tendências geracionais, é importante lembrar que cada pessoa é única. Como liderança, vale investir tempo para conhecer as individualidades da equipe e entender o que cada pessoa precisa para performar da melhor forma possível.

#4 foque em valores compartilhados e objetivos comuns

Pesquisas mostram que diferentes gerações compartilham muitos valores centrais, como integridade, realização, competência, autorrespeito e responsabilidade. Também sabemos que integrantes da equipe tendem a unir abordagens distintas quando enfrentam uma crise ou um objetivo comum. A chave para trabalhar com diferentes gerações está em definir esses valores compartilhados de forma clara para todas as pessoas, ao mesmo tempo em que se esclarece o que se busca alcançar coletivamente. Valores e objetivos corporativos são um excelente ponto de partida, pois se aplicam a todas as pessoas colaboradoras, são fáceis de compreender e oferecem princípios universais para orientar a atuação da equipe.

Uma vez estabelecidos valores compartilhados, eles podem ser usados como referência para avaliar o funcionamento da equipe, tanto nas relações interpessoais quanto como unidade de negócio. Isso cria padrões claros para lidar com conflitos, avaliar desempenho e conduzir avaliações de pessoas. Ter valores comuns elimina a idade da equação e permite múltiplas abordagens em direção ao mesmo objetivo. A liderança pode avaliar resultados observando o quanto as ações da equipe estão alinhadas aos valores e princípios corporativos compartilhados.

#5 promova parcerias entre pessoas de diferentes faixas etárias

Ao liderar uma equipe composta por múltiplas gerações, estimule uma mentalidade de crescimento, na qual as pessoas acreditam que habilidades e comportamentos se desenvolvem por meio de aprendizagem, dedicação e esforço. Isso pode ser alcançado ao estabelecer uma cultura de aprendizagem contínua. Quando as pessoas estão sempre aprendendo, tornam-se mais abertas à mudança, criando um ambiente em que influenciam umas às outras de forma positiva.

Mentorias bidirecionais são uma excelente forma de permitir que pessoas de diferentes idades compartilhem suas fortalezas. Nesse formato, ambas podem atuar como mentoras e aprendizes. Uma pessoa mais experiente pode ajudar a desenvolver habilidades de liderança em alguém mais jovem, enquanto essa pessoa mais jovem pode ensinar boas práticas de marketing em redes sociais, por exemplo.

Essas iniciativas não precisam ser formais. Qualquer atividade que una pessoas de diferentes idades pode gerar o mesmo efeito. Quando integrantes da equipe passam a enxergar valor uns nos outros, tendem a agir menos como indivíduos isolados e mais como um time integrado.

Promova mudanças ao derrubar barreiras

Embora existam diferenças amplas entre faixas etárias, é importante lembrar que ninguém é definido exclusivamente por sua geração. Para cada pessoa que se encaixa em estereótipos geracionais, há muitas outras que os quebram completamente. Como liderança, é sua responsabilidade olhar além dessas fronteiras, desafiando pensamentos enviesados e estereotipados — em si e nos outros. Derrubar essas barreiras pode ser desafiador em alguns momentos, mas gera enorme valor para você, para sua equipe e para a organização.

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