Por Patrick Billingsley, originalmente em inglês no blog Performance Matters da GP.
Como diz o ditado, a única constante na vida é a mudança. Isso é especialmente verdadeiro nos negócios. As organizações estão enfrentando mudanças rápidas nas habilidades necessárias para ter sucesso e lidando com o desafio de manter sua força de trabalho preparada com essas competências.
O que significa requalificar a força de trabalho?
Requalificação (reskilling) e aprimoramento (upskilling) costumam ser mencionados no mesmo contexto, mas têm significados bem diferentes. Aprimoramento se refere a melhorar habilidades já existentes de uma pessoa colaboradora, enquanto requalificação envolve ensinar um conjunto totalmente novo de habilidades. Normalmente, essas novas competências estão relacionadas à função atual da pessoa, embora em alguns casos a organização invista em treinamentos que não estejam diretamente ligados à sua atividade específica.
A requalificação geralmente ocorre quando a função de uma pessoa colaboradora muda significativamente ou quando ela é transferida para outra posição. A pessoa aprende a lidar com novas tecnologias ou equipamentos, adaptar-se a mudanças em processos e/ou desenvolver habilidades totalmente novas que permitam desempenhar funções adicionais. Iniciativas de requalificação também podem priorizar habilidades interpessoais, como comunicação, trabalho em equipe e liderança, que aumentam a produtividade em toda a organização.
Passos para requalificar sua força de trabalho
Cabe aos profissionais de aprendizagem ajudar a fechar lacunas críticas de competências na força de trabalho. Contratar novos talentos é uma tática comum, mas muitas organizações consideram a requalificação uma estratégia essencial para preencher essas lacunas. De acordo com um relatório do McKinsey Global Institute, 82% dos cargos executivos percebem a requalificação da força de trabalho para o futuro como algo fundamental para o sucesso dos negócios.
A liderança já reconhece essa necessidade, mas colocar um plano em prática pode ser difícil. Estes sete passos cruciais vão ajudar a orientar as iniciativas de requalificação da sua organização, seja você gerente, diretor ou responsável por Treinamento e Desenvolvimento (T&D).
Passo 1: avaliar as habilidades atuais e identificar lacunas
A primeira ação é identificar as competências existentes em sua equipe. Antes de iniciar qualquer programa de requalificação, faça um inventário de habilidades. Isso ajudará a entender melhor em quais áreas concentrar esforços.
A requalificação demanda tempo e empenho. É necessário engajar lideranças, gestões e pessoas colaboradoras no processo, além de usar dados para guiar a abordagem. Um mapa de capacidades pode representar visualmente as competências da organização e servir como modelo para funções e cargos específicos.
Tenha proatividade para se antecipar às mudanças do setor. Tente prever as exigências de competências futuras com base em tendências emergentes, desafios e oportunidades na sua área de atuação.
Passo 2: alinhar a requalificação aos objetivos de negócio
Ao requalificar sua força de trabalho, garanta que o desenvolvimento de competências esteja alinhado às metas organizacionais. Integre visão e missão da empresa à estratégia de requalificação. Considere objetivos de curto e longo prazo e adapte as iniciativas para sustentá-los. O segredo está em definir metas claras e mensuráveis para o desenvolvimento de competências.
Como exemplo, a Amazon se comprometeu a investir US$ 1,2 bilhão em requalificação e aprimoramento de suas equipes. O objetivo é desenvolver habilidades técnicas que permitam assumir novas funções em suporte de TI e engenharia de software.
Transformações não acontecem de um dia para o outro. Por isso, projete programas que evoluam junto com as demandas da organização, garantindo flexibilidade e adaptabilidade.
Passo 3: desenvolver uma estratégia de requalificação
Com um roteiro de resultados e competências necessárias pronto, é hora de criar jornadas de aprendizagem eficazes. Para que o aprendizado seja bem-sucedido, o conteúdo precisa ser 100% relevante para a pessoa colaboradora. Uma abordagem centrada em estudantes personaliza programas de requalificação de acordo com suas necessidades. Conteúdos personalizados e trilhas adaptativas aumentam significativamente os resultados. Isso leva a resultados significativamente melhores para a atual força de trabalho de alta expectativa.
Leve em conta a função, o escopo do trabalho, o nível atual de expertise e a experiência de cada pessoa. Ao dar destaque a trilhas personalizadas, você reconhece necessidades individuais e promove uma experiência de aprendizagem mais envolvente e eficaz.
Trilhas adaptadas ajudam a preencher lacunas específicas de competências, garantindo relevância prática para cada cargo. Esse método aumenta a aplicação das habilidades adquiridas e promove senso de motivação e pertencimento.
Passo 4: aproveitar tecnologia e IA para treinamento
Novas tecnologias de aprendizagem estão transformando o ambiente corporativo, oferecendo aos profissionais de T&D ferramentas inovadoras. A inteligência artificial (IA), por exemplo, já redefine setores e a forma como vivemos e trabalhamos. De acordo com um estudo da IBM, 40% da força de trabalho mundial precisará aprender novas competências nos próximos três anos por causa da adoção da IA.
A tecnologia desempenha papel fundamental na requalificação, aumentando eficiência e relevância. Plataformas modernas não apenas agilizam a criação de conteúdo, mas também acompanham progresso, identificam lacunas e personalizam experiências que envolvem e motivam.
Jogos, gamificação e tecnologias imersivas de realidade estendida (RE) podem agregar novas dimensões ao aprendizado e elevar a eficácia dos programas de requalificação.
Passo 5: implementar programas de aprendizagem contínua
Requalificação não é um evento único. Organizações que criam uma cultura de aprendizagem contínua têm mais sucesso nesse processo. Isso começa pela liderança, que deve valorizar o desenvolvimento constante. Lideranças não só apoiam, mas participam ativamente das iniciativas, dando o exemplo.
Gestões também têm papel crítico ao engajar e apoiar os programas. Seu envolvimento garante que a cultura de aprendizagem se estenda por todos os níveis da organização.
Passo 6: estimular uma cultura de aprendizagem e adaptabilidade
Promover a colaboração entre funções é fundamental para criar um ambiente de trabalho dinâmico e inovador. Promover uma cultura colaborativa incentiva o compartilhamento de ideias, expertise e conhecimento entre cada membro da equipe, resultando em maior resolução de problemas e criatividade. A quebra de silos promove a colaboração multifuncional, essencial nos locais de trabalho interconectados de hoje. O Google é conhecido por seu diálogo aberto e por dar bastante autonomia as suas equipes. Seus espaços de escritório abertos, áreas comuns e reuniões interfuncionais regulares facilitam a colaboração.
Programas de mentoria, coaching, job shadowing e treinamentos interfuncionais desempenham um papel significativo no desenvolvimento de habilidades em uma estrutura colaborativa. Unir pessoas experientes com aquelas que buscam desenvolver habilidades específicas não apenas acelera o aprendizado, mas também fornece insights e orientações valiosas. Isso também ajuda a promover uma cultura de aprendizado contínuo, onde o conhecimento é compartilhado organicamente, contribuindo para o crescimento geral das pessoas e da organização.
Passo 7: medir e ajustar os esforços de requalificação
Medir o impacto comercial dos programas de requalificação é fundamental para o sucesso contínuo. Verificações regulares do progresso revelarão o impacto dos seus esforços de requalificação. Isso permite que você adapte suas estratégias em tempo real, para melhor alinhá-las aos seus objetivos de negócios. Ao enfatizar mecanismos de feedback contínuo, você pode refinar e aprimorar as iniciativas atuais e coletar insights valiosos para aprimorar futuros programas de requalificação.
Estabeleça métricas claras para o sucesso da requalificação. Uma estrutura de avaliação tangível permitirá que sua organização conecte os pontos entre investimento, resultados comerciais e objetivos estratégicos. Essas métricas não apenas quantificam o impacto no desempenho individual e organizacional, como também orientam os esforços de melhoria contínua.
O valor do feedback contínuo vai além do refinamento do programa. O feedback também pode aprimorar a experiência geral de aprendizagem, permitindo que você personalize o conteúdo e as abordagens para atender às necessidades em constante evolução dos alunos.
Desafios e considerações na requalificação
Embora essas etapas ajudem você a evitar muitos dos desafios mais comuns de requalificação, ainda há alguns obstáculos potenciais que você precisa ter em mente.
Desafio 1: resistência à mudança
A mudança nos tira da nossa zona de conforto e nos desafia a sermos melhores. Embora isso possa ser muito benéfico a longo prazo, nem toda pessoa colaboradora pode entender isso dessa forma. Algumas podem não notar o valor no que você está oferecendo e perceber o novo treinamento como apenas “mais uma coisa a fazer”. Para outras, essas mudanças podem desencadear o medo de serem demitidas ou substituídas.
A chave para superar essa resistência é uma comunicação clara em todas as fases da iniciativa. Comece informando as pessoas sobre seus planos de requalificação antes do lançamento da iniciativa. Isso dará a elas tempo para absorver e processar essas mudanças. Tenha clareza sobre o que será esperado de cada pessoa. Diga a elas o que farão, quando farão e quanto tempo levará.
Comunique claramente os benefícios do que você está fazendo. As pessoas estarão muito mais abertas a mudanças quando entenderem os motivos. Assim que a requalificação começar, compartilhe histórias de sucesso com sua força de trabalho. Isso ajudará a ilustrar claramente os benefícios individuais e coletivos.
Ofereça oportunidades para feedback. As pessoas querem ser ouvidas, então dê a elas a oportunidade de compartilhar suas opiniões. Isso não só ajudará a quebrar a resistência, como também poderá revelar insights úteis sobre como aprimorar seus esforços de requalificação.
É importante reconhecer que a requalificação não é uma atividade única; ela requer uma cultura de aprendizado contínuo, na qual as pessoas reconheçam o valor do desenvolvimento contínuo. Se você conseguir criar uma cultura de aprendizado contínuo, haverá menos resistência à mudança.
Desafio 2: falta de tempo
Pessoas colaboradoras frequentemente têm dificuldade para cumprir as tarefas básicas de seu trabalho e podem ter dificuldade para encaixar treinamentos adicionais em suas agendas já ocupadas. Se possível, considere maneiras de aliviar temporariamente a carga de trabalho, adiando tarefas de menor prioridade. Você também deve planejar seu aprendizado de forma a se adaptar às agendas ocupadas das pessoas. As aulas de microlearning podem ser concluídas em questão de minutos, tornando-as ideais para qualquer pessoa, independentemente da sua disponibilidade de tempo. Você também deve tornar o aprendizado o mais acessível possível por meio de celulares, tablets e laptops. Isso permite que as pessoas aprendam onde e quando quiserem.
Tendências futuras na requalificação da força de trabalho
Muitas organizações já estão observando benefícios de longo prazo ao investir em programas de requalificação, tanto em termos de impacto nos negócios quanto no efeito na satisfação dos funcionários e na experiência do cliente.
A requalificação é uma estratégia com visão de futuro. Ela pode impulsionar sua organização rumo ao crescimento sustentado e à vantagem competitiva. Ao seguir essas sete etapas essenciais, você capacitará sua força de trabalho a prosperar hoje e estabelecerá as bases necessárias para navegar por futuras disrupções.
