Por Ella Richardson e Matt Donovan, originalmente em inglês no blog Performance Matters da GP.
Em nossa série “O desafio da capacitação corporativa”, exploramos por qual motivo estratégias ancoradas no trabalho são fundamentais para impulsionar iniciativas bem-sucedidas de capacitação nas organizações.
Dando continuidade a essa base, este conteúdo se aprofunda em dois frameworks essenciais, taxonomias e ontologias, esclarecendo como eles moldam estratégias de capacitação e qual é o impacto de cada abordagem no desenvolvimento da força de trabalho.
Mas afinal, o que são ontologias e taxonomias, e o que elas têm a ver com estratégias de capacitação? Basicamente, as estratégias de capacitação corporativa são construídas a partir de um método taxonômico ou ontológico. As taxonomias oferecem uma classificação hierárquica de habilidades, enquanto as ontologias proporcionam uma visão mais flexível e detalhada das relações entre habilidades, tarefas e cargos.
Como as ontologias de habilidades estão enraizadas no trabalho que realmente é realizado, elas evidenciam as relações entre habilidades, tarefas e cargos, conforme ilustrado a seguir.
As limitações das taxonomias tradicionais de habilidades
As taxonomias tradicionais de habilidades têm servido bem às organizações ao oferecer uma forma estruturada de categorizar e organizar competências. Pense em uma taxonomia de habilidades como uma árvore genealógica: cada habilidade pertence a uma categoria mais ampla, que por sua vez pertence a uma categoria ainda mais abrangente. Por exemplo, uma taxonomia de habilidades para a competência de liderança “tomada de decisão” poderia se apresentar da seguinte forma:
1. Tomada de decisão
1.1 Análise de problemas
1.1.1 Análise de causa raiz
1.1.2 Interpretação de dados
1.2 Avaliação de riscos
1.2.1 Identificação de riscos
1.2.2 Mitigação
Embora essa abordagem hierárquica seja direta e fácil de compreender, ela se mostra limitada no ambiente de negócios dinâmico atual. Por quê? Porque não consegue capturar as relações complexas entre as habilidades nem a forma como elas são efetivamente aplicadas no contexto de trabalho.
O poder das ontologias de habilidades
Uma ontologia de habilidades vai além das relações hierárquicas simples ao mapear a complexa rede de conexões entre habilidades, tarefas, cargos e resultados de negócio. Ela oferece um framework flexível e abrangente para categorizar habilidades e suas inter-relações.
Uma ontologia de habilidades é capaz de responder a perguntas críticas como:
– Como diferentes habilidades se combinam para viabilizar tarefas específicas?
– Quais habilidades são transferíveis entre diferentes funções?
– Quais são as relações de pré-requisito entre habilidades?
– Como as habilidades se conectam às capacidades de negócio e aos resultados do trabalho?
Essa compreensão mais rica é especialmente valiosa na era da inteligência artificial e das rápidas transformações tecnológicas. Funções e habilidades exigidas evoluem constantemente, e é necessário adaptar-se às necessidades do negócio e das pessoas.
Exemplo prático: a evolução do marketing de conteúdo na era da IA
Vamos analisar como uma ontologia de habilidades se mostra superior a uma taxonomia em um cenário prático.
Imagine que sua organização precise transformar profissionais tradicionais de marketing de conteúdo em estrategistas de conteúdo orientados por IA. Uma taxonomia de habilidades poderia simplesmente listar as competências necessárias:
– Ferramentas de IA para conteúdo
– Análise de SEO
– Automação de marketing
– Métricas de desempenho
– Criação de prompts para IA generativa
Em contraste, uma ontologia de habilidades evidenciaria:
– Como habilidades existentes de storytelling e redação se conectam à criação de conteúdo aprimorada por IA.
– Quais competências atuais (como análise de público ou planejamento de conteúdo) oferecem a base para uma estratégia orientada por IA.
– Os pré-requisitos necessários antes de utilizar ferramentas avançadas de IA, como engenharia de prompts e princípios de otimização de conteúdo.
– Habilidades técnicas relacionadas, essenciais para o marketing de conteúdo moderno, como interpretação de dados e desenho de fluxos de automação.
– As tarefas em que essas habilidades são aplicadas, desde a geração de conteúdo personalizado até a análise preditiva de desempenho.
– As dependências entre diferentes capacidades de IA e competências centrais de marketing.
Uma ontologia de habilidades bem estruturada também possibilita conectar redes de competências em toda a organização. Isso significa que ela pode ir além das conexões óbvias e revelar relações inesperadas entre habilidades que não seriam percebidas em uma taxonomia tradicional. Por exemplo, pode evidenciar como habilidades de gestão de projetos presentes em outras áreas são valiosas para coordenar campanhas de conteúdo complexas e orientadas por IA. Também pode mostrar que competências socioemocionais de funções aparentemente não relacionadas são essenciais para a criação de conteúdo com apoio de IA, como adaptabilidade e pensamento sistêmico, frequentemente utilizados por profissionais de gestão da mudança.
Ao trazer à tona conexões pouco visíveis e insights sobre possíveis combinações de talentos, uma ontologia de habilidades capacita as organizações a acessar capacidades ocultas, fomentar colaborações inesperadas e desenvolver uma abordagem mais ágil e multifuncional para a capacitação de suas pessoas.
Utilizando ontologias de habilidades para o planejamento de uma força de trabalho preparada para o futuro
As organizações podem utilizar ontologias de habilidades para se preparar melhor para as necessidades futuras da força de trabalho de diversas maneiras.
– Análise dinâmica de lacunas de habilidades: em vez de apenas identificar competências ausentes, as ontologias esclarecem o impacto dessas lacunas nos resultados reais do trabalho e nas capacidades de negócio.
– Trilhas de aprendizagem mais precisas: ao compreender as relações e os pré-requisitos entre habilidades, as equipes de aprendizagem e desenvolvimento conseguem criar jornadas mais eficazes, construídas a partir das capacidades já existentes.
– Recomendações de habilidades apoiadas por IA: ontologias de habilidades fornecem os dados estruturados necessários para que sistemas de IA façam recomendações inteligentes sobre quais habilidades desenvolver a seguir, caminhos alternativos de carreira, oportunidades de capacitação cruzada e mobilidade interna.
– Planejamento estratégico da força de trabalho: com uma compreensão clara de como as habilidades se conectam às capacidades de negócio, as organizações conseguem prever e se preparar melhor para as necessidades futuras.
O imperativo estratégico: por que as ontologias de habilidades são o futuro da capacitação
Embora as taxonomias de habilidades ofereçam um ponto de partida útil para organizar as capacidades da força de trabalho, as demandas complexas do ambiente corporativo moderno exigem a compreensão mais profunda proporcionada pelas ontologias de habilidades. À medida que a inteligência artificial continua a transformar o trabalho, as organizações que adotarem ontologias de habilidades estarão mais bem posicionadas para desenvolver equipes ágeis, preparadas para o futuro e de alto desempenho.
